Apresentai-vos para o louvor a Deus
Rm 12.1-2
O versículo 1 do texto acima diz: Rogo-vos, é o mesmo que admoesto-vos, encorajo-
vos, exorto-vos. Esta expressão designa a integralidade do serviço cristão. Não
podemos, simplesmente, servir a Deus apenas com as nossas emoções, ou palavras, ou
dízimos… Deus quer a nossa totalidade. O ato de apresentar todo o corpo significa
retribuir a Deus com o nosso serviço, adoração, fidelidade pela salvação recebida. E a
maneira mais agradável e correta de se fazer isto é o nosso total desprendimento para
servi-lo. O sacrifício santo e agradável anunciado pelo apóstolo lembra o ato sacerdotal
do Antigo Testamento, ou seja, consagração. Porém, esta consagração que agora
vivemos é através da Cruz de Cristo e do revestimento do Espírito Santo. Assim, um
corpo consagrado, significa ser integralmente consagrado para serviço de Deus. Não
podemos consagrar apenas o coração para vivermos de emoções. Deve ser todo o nosso
corpo, e não uma parte apenas. Outra expressão digna de nota neste versículo é: Culto
racional. Trata-se de uma palavra grega Logikós, que significa razão, inteligência. A
exortação de Paulo é para que o povo tenha consciência do culto que está oferecendo a
Deus. É uma orientação importante, principalmente para evitar que a comunidade viesse
a cair nos mesmos erros que Israel cometeu, quando por exemplo, celebrava a Deus da
boca para fora, pois o coração estava contaminado pelo pecado: Is 1, 13. É necessário
que o nosso servir a Deus seja integral e consciente, sem hipocrisia. É por isso que as
multidões são atraídas por todo tipo de doutrinas, pois se deixa dominar pela emoção e
acaba agindo por mera repetição, puro emocionalismo. O povo de Deus, movido pelo
Espírito Santo, depende de sã consciência, capaz de torná-lo convicto de seus atos de
adoração. Assim, entenderemos que o culto racional significa adorar o nosso criador e
redentor com sinceridade, sem deixar jamais que a emoção sufoque a nossa consciência.
Pois se isto acontecer não teremos como responder por nossos atos. O versículo 2 diz:
Não vos conformeis. Não conformar com este século significa não ser cúmplice deste
mundo de pecado. O Apóstolo Paulo está exortando a comunidade a não adotar os
padrões do mundo, dos quais acabou de ser liberta pela Cruz de Cristo. Nós seres
humanos, somos imitadores por natureza; temos uma tendência de adotar os padrões
que nos são oferecidos. Aliás, é por isso que somos vítimas de tantas dominações, pois
seguimos modelos, símbolos, imagens. A grande estratégia do marketing de hoje é
vender imagens. A manipulação torna-se fácil, pois os exploradores são especialistas
em fazer o feio ficar bonito, o corrupto virar honesto, a mentira virar verdade e o
profano virar sagrado. E isto não é criação da pós-modernidade. A Bíblia relata que o
Diabo pode se transformar em anjo de luz para se possível enganar os eleitos de Deus.
Na filosofia isto é conhecido por sofisma. Hoje, dizem: “politicamente correto”, isto é,
aceitar como certa uma coisa que seja errada. Existem dois caminhos, ou dois padrões
apenas para serem seguidos: O Padrão do Mundo: Carregado das trevas do pecado. O
Padrão de Deus: Bom, perfeito e agradável. O Apóstolo fala de Renovação da mente:
Assim como todo o corpo foi apresentado consagrado, toda a mente foi renovada.
Somente a mente transformada, convertida, pode compreender que tipo de atitudes
devemos ter na igreja, com Deus, com o próximo. Ter mente renovada não significa que
o cristão recebeu a missão de sair mundo afora rotulando e condenando as pessoas. Ao
contrário, o cristão de mente renovada vai ao mundo anunciar a Boa notícia do
Evangelho da Salvação. Vamos transformar os padrões deste mundo tenebroso com os
padrões de Deus. Finalmente, Paulo diz que devemos experimentar qual seja a boa,
perfeita e agradável vontade de Deus. É muito bom ter experiência com Deus. Porém,
toda e qualquer experiência, revelação, visão, sonho… Tudo isto servirá para edificação
do indivíduo e nunca à igreja. A única revelação que a igreja do Senhor Jesus Cristo
deve seguir é a Bíblia; fora dela, a igreja não deve considerar nenhuma outra revelação.
A Bíblia é a única regra de fé e conduta para o cristão: 2 João 7-11.
Rev. Adilson de Souza Filho
Os “sem” igrejas
O número de evangélicos que não mantêm vínculo com nenhuma igreja cresceu, informa reportagem publicada na Folha desta segunda-feira, dia 15. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE, eles passaram de 4% do total de evangélicos em 2003 para 14% em 2009, um salto de 4 milhões de pessoas. Isto mostra um indicativo similar ao que acontece com milhões de católicos nominais, isto é, apenas de batismo, porém, não praticantes.
Os dados do IBGE também confirmam tendências registradas na década passada, como a queda da proporção de católicos e protestantes históricos e alta dos sem religião e neopentecostais. Sobre a porcentagem de seguidores, a Igreja Universal apresentou a maior queda 24%. Segundo o jornal, isso está acontecendo porque está havendo uma “criação de igrejas dissidentes”, mas ainda é preciso aguardar a atualização do Censo para confirmar esta queda.No caso dos sem religião, eles foram de 5,1% da
população para 6,7%. Embora a categoria seja em geral identificada com ateus e agnósticos, pode incluir quem migra de uma fé para outra ou criou seu próprio estilo de
crenças, o que reforça a tese da desinstitucionalização.
Portanto, precisamos lembrar das inúmeras passagens bíblicas que nos exortam a perseverarmos na fé. Tem de fato havido muito abandono de irmãos e irmãs de nossas
igrejas, por motivos variados. Mas, talvez, um motivo que sobressai seja a falta de compromisso ou mesmo o esfriamento da fé.
De um lado há milhares de pessoas que lotam templos de igrejas que prometem milagres a qualquer preço; contudo, tais pessoas se interessam pelas ofertas de milagres
e não do genuíno Evangelho. De outro lado há milhares de pessoas que perderam o interesse pelo ensino da Palavra;
e mais do que isso, não julgam mais importante a criação de seus filhos no caminho do Senhor.
Mas também podemos pensar que tudo isso represente os sinais dos tempos, onde muitos esfriariam a sua fé, outros negariam a sã doutrina e ainda outros seguiriam falsos
ensinamentos. Diante disso, é necessário que vigiemos para que o Dia do Senhor não nos apanhe de surpresa. Quanto a nós, permaneçamos firmes na doutrina, aguardando nosso encontro com Cristo, autor e consumador da nossa fé.
Rev. Adilson de Souza Filho

